O admirável mundo novo das biomoléculas quiméricas

Caros, não poderia deixar de postar um comentário sobre o que considero um dos mais interessantes passos conjuntos da biotecnologia, farmacologia e imunologia nos últimos anos. Fazendo uma analogia ao excelente livro de Aldous Huxley, as biomoléculas quiméricas parecem ter chegado para tornar-se um exemplo fantástico de uma grande idéia. Vou explicar-me... Alguns podem surpreender-se, mas o princípio de tanta admiração é absolutamente simples (na teoria). Há muito tempo cogita-se utilizar os anticorpos monoclonais no tratamento de diversas doenças (talvez baseado no sucesso dos soros anti-ofídicos, anti-rábico, anti-tetânico, etc...). Entre estas doenças estava o câncer, pois o grande desafio do tratamento de tumores é como fazer com que o fármaco tenha como alvo somente as células cancerosas e não as saudáveis, sendo que todas são células do mesmo organismo. Assim, a especificidade dos anticorpos mostrava-se como uma grande alternativa. Contudo, as terapias com anticorpos são sujeitas a diversos efeitos colaterais, principalmente em tratamentos crônicos (a longo prazo). Isto se deve principalmente porque os anticorpos utilizados são heterólogos (de outras espécies, como equinos). Um porção da molécula de anticorpo (Fc) é bastante reativa quando dentro da circulação de outro organismo. Assim, pesquisas tornaram possível sintetizar moléculas de anticorpos recombinantes com a porção de reconhecimento do antígeno (Fab´) de uma espécie animal e com a porção Fc humana, diminuindo a ocorrência de reações ao tratamento. O uso da porção Fab´ de outra espécie facilita a indução de anticorpos contra o antígeno humano. Exemplos dessa tecnologia já estão em uso em alguns países e incluem anticorpos monoclonais quiméricos contra o VEGF (fator de crescimento de endotélio vascular), que inibem a angiogênese (a formação de vasos sanguineos, e o aporte nutricional ao tumor). O nome comercial do fármaco citado é Avastin.

Nenhum comentário:

Postar um comentário