Caros, há tempo que venho argumentando com várias pessoas que todos os alunos de todos os cursos e semestres podem se interessar pelas disciplinas que são ministradas a eles, principalmente se houver um trabalho que envolva interesse das duas partes (aluno e professor). Do mesmo modo que observamos em diversos sistemas endógenos de nosso organismo, no processo de aprendizagem existe um mecanismo de feedback. Quanto mais os alunos demonstram interesse e curiosidade, mais empolgação e dedicação despertam nos professores. E aí a coisa tende a ser mais agradável para todos. E mais: garante que os alunos ganhem mais conhecimentos, o que em disciplinas fundamentais como Farmacologia representa um ganho sensacional para a formação. Vou adicionar ao comentário uma experiência pessoal: nas duas últimas aulas, que incluíram a apresentação dos seminários e a aula de hoje(!), meus alunos da disciplina de Farmacologia do curso de Enfermagem da UFAM (turma ingressante em 2010) demonstraram um envolvimento que recompensa com sobras todo esforço. Parece piegas, mas acho que cabe citar aquela máxima que diz que talvez a gente aprenda mais do que ensine. Fica aqui o registro: caros alunos, OBRIGADO pelo incentivo! Esse é o motivo de tudo que fazemos.
A história da terapêutica ilustrada em um NOBRE relato de caso...
No século XVII, o Rei Carlos II (da Dinastia de Stuart) da Inglaterra era um famoso monarca que tinha a sua disposição os mais conceituados profissionais de saúde da época... MAS SERÁ QUE ISSO ADIANTAVA? Em uma bela manhã de inverno de 1685, o Rei, então com 55 anos, era barbeado quando caiu ao chão convulsionando. A crise parou, e seu estado não parecia ser tão grave, mas por via das dúvidas, seus médicos reais foram chamados. E estabeleceu-se seu tratamento...
1º tratamento: Sangria venosa do braço direito (½ litro)
Sem obter a melhora, escolheram o próximo tratamento...
2º tratamento: incisão no ombro e sangria por sucção (sic!)
Novamente, sem obter a melhora, escolheram outro tratamento...
3º tratamento: Um emético (vomitivo) e dois purgativos
Novamente, sem obter a melhora, escolheram outro tratamento...
4º tratamento: Enema com antimônio, sais, beterraba, flores, folhas, sementes
Novamente, sem obter a melhora, escolheram outro tratamento...
5º tratamento: Repetir a cada 2h o enema e o purgante
Novamente, sem obter a melhora, escolheram outro tratamento...
6º tratamento: Raízes e pó de flores via nasal (o famoso esternutatório!) para induzir espirros!!!
Preciso dizer? Sem obter a melhora, escolheram outro tratamento...
7º tratamento: Muitas bebidas e antídoto de Raleigh (extratos animais/vegetais)
7º tratamento: Muitas bebidas e antídoto de Raleigh (extratos animais/vegetais)
Sem mais alternativas, os médico optaram pelo tratamento que tudo curava e lançava mão de uma relíquia da época:
Último tratamento: a pedra de bezoar!!!
Que nada mais era que um concremente intestinal de animais, frequentemente ornamentado com jóias. Acreditava-se que tudo poderia curar!!!! Uma grande bobagem...
Resolução e progressão do caso do Rei: perda de consciência progressiva e repetidas crises convulsivas até sua morte agonizante após 4 dias de tratamento...
Acredita-se que se o Rei Carlos não tivesse recebido nenhum tratamento, não morreria...
Incrível, não?!
É importante conhecer a história para evitar que a época onde as atitudes não baseadas em evidências científicas reinavam e matavam...
Faz muito tempo desde esse acontecimento, mas ainda ouvimos absurdos que parecem terem saído de livros de história...
E os genéricos?
Caros, uma breve consideração sobre medicamentos. Existem três grandes categorias de medicamentos: (i) os medicamentos de referência ou inovadores (são aqueles que foram pioneiros no desenvolvimento de um princípio ativo, tendo passado por todas as fases da pesquisa farmacológica, desde a prospecção e bioensaios, até os testes clínicos; geralmente carregam nomes "fantasia" conhecidos do público geral); (ii) os medicamentos similares (produtos produzidos baseados em um medicamento de referência específico após a perda de direitos de exclusividade sob a substância, e que contém o mesmo princípio ativo do medicamento de referência; podendo ou não serem vendidos com nome fantasia); e (iii) os genéricos (medicamentos que contem o mesmo princípio ativo de um medicamento de referência, que possuem mesma concentração, dose, forma de apresentação e farmacocinética que o medicamento original, tendo sido submetidos a testes de bioequivalência; não possuem nome fantasia, apenas o nome do princípio ativo e a identificação de genéricos. Atualmente, apenas os medicamentos genéricos são intercambiáveis com os de referência quando estes são prescritos, ou seja, o uso do genérico é permitido mesmo quando prescrito o original (desde que o profissional de saúde não faça ressalvas claras na prescrição sobre isso!). O similar só pode ser adquirido se na prescrição estiver indicado o princípio ativo a ser utilizado e não um medicamento específico. A grande diferença entre estes medicamentos reside no fato que apenas os genéricos (TODOS) já foram submetidos a testes de bioequivalência (que certificam que o genérico tem mesma farmacocinética que o original, garantindo que sua a quantidade e taxa de absorção/excreção são idênticas!!!). Isso garante que o genérico e o original DEVEM apresentar o mesmo efeito. Os medicamentos similares possuem sua eficiência testada, contudo, podem diferir em alguns critérios; o que pode as vezes fazer com que sua ação não seja idêntica ao original (em relação a parâmetros cinéticos). Para reduzir esse "problema" a ANVISA prevê que até 2014 todos os similares tenham sido testados quanto à bioequivalência. É esperar para ver...
PERSONALIDADES: John Langley
Seguindo a proposta de homenagear grandes cientistas, publico agora um pequeno relato da vida e das observações de um grande cientista: John Newport Langley. Langley era britânico e nasceu em 1852. Foi professor de Fisiologia em Cambridge. Entre diversos interesses e estudos dedicou-se aos efeitos de alcalóides de plantas, entre eles a pilocarpina, ao mecanismo de secreção de glândulas (particularmente das glândulas salivares) e a reações do sistema nervoso (futuramente denominado autônomo). A descrição de suas maiores contribuições para a ciência variam do perfil do descritor, pois são trabalhos abrangem uma gama ampla de áreas. No tocante à Farmacologia, Langley é considerado, juntamente com outros cientistas como Paul Ehrlich e Alfred Clark, o responsável pelo que conhecemos hoje como teoria do receptor. O trabalho desses cientistas levou ao conceito que conhecemos hoje que um fármaco ou molécula age através da interação com moléculas receptoras. Esse conceito pode parecer um tanto quanto óbvio pra nós hoje, mas somente pelas evidências e conhecimento que estes cientistas forneceram. Em 1905, estudando os nervos e músculos, Langley conceituou que havia uma "espécie de junção" entre os dois tecidos que fazia que interagissem, solidificando o conceito de junção neuromuscular. Ainda nessa série de trabalhos, Langley percebeu que a adição de nicotina no fim de terminações nervosas produzia uma resposta, que por sua vez, podia ser bloqueada pelo curare. Ele concluiu que haviam "terminações nervosas" nessas regiões que eram mais susceptíveis a estímulos. Esta região seria especialmente excitável pela presença de "substâncias receptoras" dos agente estimulantes. Com essa observação, Langley introduz o conceito de receptores, o que por sua vez, permite um imenso avanço posteriormente na farmacologia. A base da construção do conhecimento farmacológico atual foi construída no alicerce da teoria do receptor. Esta observação também foi fundamental para o entendimento da ação de susbtâncias endógenas e do funcionamento do sistema nervoso. John Newport Langley morreu em 1925. Um observação sutil, mas revolucionária...
Sistema Calicreínas-Cininas e o câncer
A participação do KKS no câncer começou a ser desvendada no início da década de 80 com a identificação do papel de uma isoforma da calicreína tissular, conhecida como Prostate-specific antigen (PSA), como marcador de tumores de próstata. A partir de então diversas isoformas de calicreína começaram a ser consideradas marcadores em diferentes tipos tumorais ( Para ler mais: Yousef & Diamandis, 2003A ; Yousef & Diamandis, 2003B ). Hoje diversos estudos se concentram na determinação das possíveis funções do KKS nos fenômenos de transformação celular e no microambiente tumoral. Alguns dos efeitos mais interessantes dos componentes do KKS no câncer estão listados a seguir:
1) Ações da Calicreína . A atividade de calicreína está frequentemente aumentada nas células tumorais podendo mediar (Revisão interessante: Borgoño & Diamandis, 2004 ): 1.1) Ativação de metaloproteases degradadoras de matriz extracelular, promovendo aumento de invasividade tumoral (Para ler mais: Desrivières et al ., 1993 ) (Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Wolf et al ., 2001 ). 1.2) Ativação de proteinase-activated receptors (PAR) - receptores acoplados a proteína-G ativados pela clivagem de parte de seu domínio extra-celular - levando a: proliferação celular, ativação de MAPK e aumento do influxo de cálcio intracelular (Hansen et al . 2007 ). 1.3) Processamento proteolítico de hormônios e fatores de crescimento que interferem no crescimento tumoral (ex.: fatores de crescimento insulina- like ) (Sano et al ., 2007 ; Ryan & Goss, 2008 ).
2) Ações da Bradicinina. Além do aumento da atividade de calicreína nos tumores, as alterações no microambiente vascular e a presença de células tumorais na circulação expressando proteínas ectópicas podem levar a ativação do sistema contato e a formação de BK. Algumas ações que a BK pode desencadear são: 2.1) Indução do aumento do influxo de cálcio, de proliferação celular e inibição de apoptose em células de tumor de pulmão ( Para ler mais: Bunn et al ., 1992 ; Greco et al ., 2005 ) (Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Chan et al ., 2002 ). 2.2) Potencial pró-angiogênico no sítios tumorais facilitando a ocorrência de metástases (Para ler mais: Ishihara et al. , 2001 ). 2.3) Mediação da nociocepção em tumores ósseos ( Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Sevcik et al ., 2005 ). 2.4) Modulação da permeabilidade vascular da barreira-hemato-encefálica (BHE): (i) Papel pró-metastático na instalação de tumores cerebrais ( Para ler mais: Zhang et al ., 2007 ); e (ii) ação de agonistas de receptores de BK em associação à quimioterapia facilitando o “ delivery ” de quimioterápicos em tumores cerebrais ( Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Packer et al ., 2005 ).
1) Ações da Calicreína . A atividade de calicreína está frequentemente aumentada nas células tumorais podendo mediar (Revisão interessante: Borgoño & Diamandis, 2004 ): 1.1) Ativação de metaloproteases degradadoras de matriz extracelular, promovendo aumento de invasividade tumoral (Para ler mais: Desrivières et al ., 1993 ) (Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Wolf et al ., 2001 ). 1.2) Ativação de proteinase-activated receptors (PAR) - receptores acoplados a proteína-G ativados pela clivagem de parte de seu domínio extra-celular - levando a: proliferação celular, ativação de MAPK e aumento do influxo de cálcio intracelular (Hansen et al . 2007 ). 1.3) Processamento proteolítico de hormônios e fatores de crescimento que interferem no crescimento tumoral (ex.: fatores de crescimento insulina- like ) (Sano et al ., 2007 ; Ryan & Goss, 2008 ).
2) Ações da Bradicinina. Além do aumento da atividade de calicreína nos tumores, as alterações no microambiente vascular e a presença de células tumorais na circulação expressando proteínas ectópicas podem levar a ativação do sistema contato e a formação de BK. Algumas ações que a BK pode desencadear são: 2.1) Indução do aumento do influxo de cálcio, de proliferação celular e inibição de apoptose em células de tumor de pulmão ( Para ler mais: Bunn et al ., 1992 ; Greco et al ., 2005 ) (Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Chan et al ., 2002 ). 2.2) Potencial pró-angiogênico no sítios tumorais facilitando a ocorrência de metástases (Para ler mais: Ishihara et al. , 2001 ). 2.3) Mediação da nociocepção em tumores ósseos ( Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Sevcik et al ., 2005 ). 2.4) Modulação da permeabilidade vascular da barreira-hemato-encefálica (BHE): (i) Papel pró-metastático na instalação de tumores cerebrais ( Para ler mais: Zhang et al ., 2007 ); e (ii) ação de agonistas de receptores de BK em associação à quimioterapia facilitando o “ delivery ” de quimioterápicos em tumores cerebrais ( Artigo muito interessante sobre potencial terapêutico: Packer et al ., 2005 ).
Para entender as bases moleculares da tolerância a fármacos (opióides)
Um dos fenômenos mais intrigantes da farmacologia é a tolerância. Neste link abaixo você encontrará um discussão interessante e atual sobre os mecanismos moleculares que são responsáveis pela tolerância aos fármacos (particularmente aos opióides).
LINK: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/287/28770213.pdf
LINK: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/287/28770213.pdf
A fascinante história dos fármacos opióides
Um dos grupos mais importantes e utilizados de fármacos para o controle da dor são os analgésicos opióides. Segue abaixo um link de um excelente e interessante artigo contando a história da descoberta e do uso dos opióides através dos séculos. Desde os sumérios, passando por }Paracelsos, e chegando a Sertürner. Vale a pena conferir.
LINK: www.scielo.br/pdf/rba/v55n1/v55n1a15.pdf
LINK: www.scielo.br/pdf/rba/v55n1/v55n1a15.pdf
A polivalência do bom e velho alopurinol
Fármaco conhecido daqueles que sofrem de (ou que tem algum familiar com) crises de gota. As crises de gota são devidos a um aumento de ácido úrico no organismo, que por sua vez, leva à deposição deste nos tecidos (principalmente articulações dos pés). O alopurinol é um análogo da hipoxantina, que atua como inibidor da enzima xantina oxidase, uma enzima chave na síntese de ácido úrico. Além do uso do alopurinol no controle dos níveis de ácido úrico, este fármaco tem se mostrado útil na diminuição dos efeitos tóxicos da síndrome da isquemia-reperfusão de tecidos (um interessante tópico a ser discutido futuramente aqui no blog) pela diminuição de espécies oxidantes reativas. Ademais parecem haver outras perspectivas (que ainda carecem de mais confirmações) úteis para o uso do alopurinol, como seu efeito benéfico na tripanossomíase.
LINK sugerido: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-86501998000200002&script=sci_arttext&tlng=en
LINK sugerido: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-86501998000200002&script=sci_arttext&tlng=en
Texto da palestra do Prof. Robert Furchgott na entrega do prêmio Nobel de 1998 (estudos iniciais sobre o NO)
Os trabalhos do Prof. Robert Furchgott levaram ao reconhecimento do papel do óxido nítrico (NO) como um importante mediador farmacológico. Mesclando uma alta perspicácia com uma boa dose de sorte, os trabalhos iniciais de Furchgott, utilizando preparações farmacológicas de órgãos isolados (como aorta de coelho), deram um passo importante no estudo de um dos mais importantes agentes vasoativos. A história do experimentos que levaram a consolidação do papel do NO é contada pelo próprio Furchgott no link abaixo. Vale a pena ler...
LINK: http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1998/furchgott-lecture.pdf
LINK: http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1998/furchgott-lecture.pdf
Desmistificando a inibição da ACE como único mecanismo de ação dos potenciadores de cinina
Há muito tempo discute-se que os mecanismos farmacológicos dos peptídeos potenciadores de bradicinina (BPP) não são somente devidos à inibição da ACE. Recentemente dois trabalhos com BPPs de veneno de serpente reforçaram esta idéia. Nos dois artigos citados abaixo (do grupo do Dr. Camargo do Inst. Butantan) há discussão sobre BPP com atividade sobre o sistema cardiovascular desprovidos de atividade inibitória sobre a ACE. Além disso, a inibição da argininosuccinato sintase (AsS), uma enzima participante do ciclo da uréia e da metabolização de L-citrulina, um dos precursores de óxido nítrico (NO), parece ter papel chave nas ações ACE-independetes dos BPPs. Estas ações ACE-independentes parecem ainda ter particular importância nos tecidos renais. Com isso, abrem-se novamente perspectivas terapêuticas para os BPPs, além da via tradicional de inibição da ACE.
LINK 1: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17475904
LINK 2: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19491403
LINK 1: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17475904
LINK 2: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19491403
A imperdível e ótima descrição do Prof. William Paton sobre o homem de hexametônio
O grande farmacologista britânico Sir William Paton, fez os estudos mais clássicos sobre a ação de bloqueadores ganglionares. Hoje, o uso de bloqueadores é bastante restrito, sendo utilizadas primordialmente drogas bloqueadores neuromusculares "específicas" (como o atracúrio), como relaxantes musculares em cirurgias de grande porte. Faz parte do folclore da farmacologia a descrição de Paton sobre o "homem de hexametônio", um indivíduo sob ação de uma droga antagonista de receptores nicotínicos de acetilcolina.
A descrição de 1954 pode ser encontrada no LINK: http://www.life.umd.edu/classroom/bsci440/higgins/TheHexamethoniumMan.html
No LINK pode ser encontrada um boa associação dos achados e das vias envolvidas: http://sbms.ilc.uq.edu.au/resources/cml/hexman/hexans.htm
A descrição de 1954 pode ser encontrada no LINK: http://www.life.umd.edu/classroom/bsci440/higgins/TheHexamethoniumMan.html
No LINK pode ser encontrada um boa associação dos achados e das vias envolvidas: http://sbms.ilc.uq.edu.au/resources/cml/hexman/hexans.htm
O admirável mundo novo das biomoléculas quiméricas
Caros, não poderia deixar de postar um comentário sobre o que considero um dos mais interessantes passos conjuntos da biotecnologia, farmacologia e imunologia nos últimos anos. Fazendo uma analogia ao excelente livro de Aldous Huxley, as biomoléculas quiméricas parecem ter chegado para tornar-se um exemplo fantástico de uma grande idéia. Vou explicar-me... Alguns podem surpreender-se, mas o princípio de tanta admiração é absolutamente simples (na teoria). Há muito tempo cogita-se utilizar os anticorpos monoclonais no tratamento de diversas doenças (talvez baseado no sucesso dos soros anti-ofídicos, anti-rábico, anti-tetânico, etc...). Entre estas doenças estava o câncer, pois o grande desafio do tratamento de tumores é como fazer com que o fármaco tenha como alvo somente as células cancerosas e não as saudáveis, sendo que todas são células do mesmo organismo. Assim, a especificidade dos anticorpos mostrava-se como uma grande alternativa. Contudo, as terapias com anticorpos são sujeitas a diversos efeitos colaterais, principalmente em tratamentos crônicos (a longo prazo). Isto se deve principalmente porque os anticorpos utilizados são heterólogos (de outras espécies, como equinos). Um porção da molécula de anticorpo (Fc) é bastante reativa quando dentro da circulação de outro organismo. Assim, pesquisas tornaram possível sintetizar moléculas de anticorpos recombinantes com a porção de reconhecimento do antígeno (Fab´) de uma espécie animal e com a porção Fc humana, diminuindo a ocorrência de reações ao tratamento. O uso da porção Fab´ de outra espécie facilita a indução de anticorpos contra o antígeno humano. Exemplos dessa tecnologia já estão em uso em alguns países e incluem anticorpos monoclonais quiméricos contra o VEGF (fator de crescimento de endotélio vascular), que inibem a angiogênese (a formação de vasos sanguineos, e o aporte nutricional ao tumor). O nome comercial do fármaco citado é Avastin.
A biotecnologia "aperfeiçoando" em laboratório drogas naturais
Hoje em dia o uso de moléculas naturais na terapêutica é uma importante realidade. Entre elas podemos citar a insulina, a hirudina e o IFN. Além da prospecção, pesquisa e preparo destas moléculas a biotecnologia está dando mais um importante passo no campo de biomoléculas terapêuticas. Um exemplo disso é a lepirudina (nome comercial Refludan). A lepirudina é um peptídeo baseado na sequencia da hirudina. Contudo, teve sua sequencia de aminoácidos "levemente" alterada (diferindo pela substituição de uma lecina por uma isoleucina na extremidade N-terminal e pela ausência de um grupo sulfato na tirosina 63). Estas alterações foram devidas a estudos de simulação molecular que indicaram que estas alterações poderiam potencializar o efeito farmacológico da molécula. A hirudina e a lepirudina agem inibindo diretamente a trombina, independente da participação de anti-trombina ou heparina. Com estudos como o que deram origem a lepirudina a biotecnologia dá um passo em direção ao ramo de planejamento racional de fármacos, e mostra ser possível trabalhar com moléculas naturais e utilizar recursos de aperfeiçoamento de moléculas.
O sildenafil (Viagra) ainda pode ajudar seu coração (literalmente falando)
Caros, pode parecer um trocadilho a frase acima, mas o sildenafil (amplamente conhecido pelo nome comercial de Viagra) pode ser útil para outras condições diferentes da importência sexual. O sildenafil é um inibidor de fosfodiesterase, mais especificamente da fosfodiesterase de nucleotídeos cíclicos V (PDE V). Esta enzima realiza a hidrólise (inativação) do nucleotídeo cíclico GMPc. Numa gama de vasos sanguíneos e nos corpos cavernosos do pênis, o óxido nítrico (NO, um potente vasodilatador) ativa a guanilato ciclase intracelular que aumenta os níveis de GMPc. Desse modo, o sildenafil age de modo sinérgico ao NO potencializando seus efeitos vasodilatadores (o que tem óbvia importância no fenômeno da ereção). A presença de PDE V nos cardiomiócitos e associada ao efeito cardioprotetor do aumento de GMPc em processos patológicos como hipertrofia cardíaca, apoptose de cardiomiócitos e remodelação cardíaca pós-isquêmica tem dado novas perspectivas para usos clínicos do sildenafil. Estas possibilidades de uso merecem atenção pelo seu provável impacto. Quem não conseguir abrir o link pode me pedir os artigos.
Seguem um link de um comentário sobre o assunto e de um artigo de revisão sobre o assunto
LINK cometário: http://www.medscape.com/viewarticle/587004
LINK artigo: http://www.ajconline.org/article/S0002-9149%2805%2901351-2/abstract
Seguem um link de um comentário sobre o assunto e de um artigo de revisão sobre o assunto
LINK cometário: http://www.medscape.com/viewarticle/587004
LINK artigo: http://www.ajconline.org/article/S0002-9149%2805%2901351-2/abstract
Artigo na revista "Pharmacology & Therapeutics" sobre a bioversidade amazônica e a etnofarmacologia
Caros, segue o link de um interessante artigo publicado na revista científica "Pharmacology & Therapeutics" abordando a potencialidade da bioversidade da Amazônia e a importância da etnofarmacologia. A etnofarmacologia é o ramo da farmacologia que estuda os hábitos de saúde, terapêuticos de determinados grupos étnicos. Em termos mais simples a etnofarmacologia aborda as potencialidades farmacológicas dos compostos utilizados na medicina popular. O artigo é assinado pela Profa. da UFRGS Elaine Elisabetsky e por uma colega norte-americana. Abaixo segue o link, para quem não conseguir acessar, pode solicitar-me por e-mail.
LINK: doi 10.1016/0163-7258(94)90039-6
LINK: doi 10.1016/0163-7258(94)90039-6
Artigo: Via de administração oral para peptídeos???
Olá. Segue artigo comentando possibilidades e perspectivas de uso via oral de peptídeos farmacologicamente ativos. Tecnologias de "delivery"...
Por que o post? Lembrando que os fármacos peptídicos não podem ser administrados por via oral, pois são prontamente degradados no trato gastrointestinal como se fossem alimentos. A via de administração tem particular importância em tratamentos longos, onde a aplicação parenteral geralmente é desconfortável ao paciente. Tratamentos com peptídeos incluem a insulina, a hirudina, o IFN... Hoje a busca por maneiras de permitir o tratamento via oral com peptídeos é um grande desafio da farmacologia.
LINK: www.iptonline.com/articles/public/IPTNINE106NoPrint.pdf
Por que o post? Lembrando que os fármacos peptídicos não podem ser administrados por via oral, pois são prontamente degradados no trato gastrointestinal como se fossem alimentos. A via de administração tem particular importância em tratamentos longos, onde a aplicação parenteral geralmente é desconfortável ao paciente. Tratamentos com peptídeos incluem a insulina, a hirudina, o IFN... Hoje a busca por maneiras de permitir o tratamento via oral com peptídeos é um grande desafio da farmacologia.
LINK: www.iptonline.com/articles/public/IPTNINE106NoPrint.pdf
PERSONALIDADES: John Vane
Começando a série em honra a grandes farmacologistas, uma homenagem a John Vane. Um dos cientistas que mais admiro. Farmacologista britânico, prêmio Nobel de medicina de 1982 pela caracterização do mecanismos de ação da aspirina (dos AINES de modo geral). Os trabalhos ainda deram origem as pesquisas sobre o papel das PGs na nociocepção. Vane ainda trabalhou efetivamente na caracterização do mecanismo de ação dos primeiros peptídeos potenciadores de cininas (mostrando juntamente com o prof. Sérgio Ferreira a inibição da ACE), participando ativamente nas pesquisas que originaram os anti-hipertensivos inibidores da ACE. John Vane ainda integrou a equipe (juntamente com o prof. Sergio Moncada) que identificou a prostaciclina (PGI2), um inibidor endógeno de agregação plaquetária produzido principalmente pelo endotélio. John Vane nasceu em 1927 e faleceu em 2004. Mais detalhes podem ser encontrados na biografia disponível no site da Fundação Nobel, pois seria difícil falar aqui tudo o que esta grande mente fez em vida...
LINK: http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1982/vane-autobio.html
LINK: http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1982/vane-autobio.html
Possibilidades terapêuticas para sepse?!
Segue link do elegante artigo dos pesquisadores (e amigos) Daniel Fernandes e Jamil Assreuy sobre a possibilidade de uso de inibidores de guanilato ciclase para tratamento da sepse mesmo frente à irresponsividade à vasopressores tradicionais. Como eles mesmo dizem: "abre-se uma janela terapêutica..."
LINK: http://jpet.aspetjournals.org/content/328/3/991.long
LINK: http://jpet.aspetjournals.org/content/328/3/991.long
Tratamentos "lógicos" nem sempre são eficazes
Abaixo segue link para o excelente trabalho do grupo da Dra. Ida Sano-Martins mostrando que o tratamento de animais envenenados pelo contato com a lagarta Lonomia obliqua (que causa coagulopatia) com EACA (acido epsilon aminocaproico, inibidor de fibrinólise) causa maior mortalidade. O tratamento já foi usado em pacientes já foi sugerido em algumas cartilhas com base em hipóteses (sem bases experimentais).
LINK: www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6TCS-4NJ7W78-1&_user=10&_coverDate=09%2F01%2F2007&_rdoc=1&_fmt=high&_orig=search&_sort=d&_docanchor=&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=32c3bcbe6054845cf0fff033bef09b2b
LINK: www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6TCS-4NJ7W78-1&_user=10&_coverDate=09%2F01%2F2007&_rdoc=1&_fmt=high&_orig=search&_sort=d&_docanchor=&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=32c3bcbe6054845cf0fff033bef09b2b
Leiam à esquerda os textos que estão em "Links para `coisas´ que vale a pena ler"
Links para artigos, sites e publicações que todos deveriam ler. Ótimas lições...
Personalidades
Serão postados pequenos perfis contando a história de algumas importantes personalidades na história da farmacologia e da biotecnologia. Estamos abertos à sugestões para começarmos a série...
Bem-vindos
Pessoal,
Bem-vindos ao espaço de discussão sobre Farmacologia & Biotecnologia!!!
Periodicamente serão postados itens de discussão, histórias de caráter científico, material didático e ainda serão respondidas dúvidas de leigos, estudantes e profissionais relacionados as áreas aqui abordadas.
Aproveitem...
Bem-vindos ao espaço de discussão sobre Farmacologia & Biotecnologia!!!
Periodicamente serão postados itens de discussão, histórias de caráter científico, material didático e ainda serão respondidas dúvidas de leigos, estudantes e profissionais relacionados as áreas aqui abordadas.
Aproveitem...
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